sábado, abril 07, 2007

Memórias #2

Nos cantos da casa
Meus mortos respiram:
O quarto
[turvo]
o pátio...

O corte preciso
A lâmina branca
O vidro em cacos
A pedra e as arestas –
A fenda no tempo.

Nos cantos do corpo
Meus mortos respiram:
A pele
[lúcida]
o sangue...

A fenda no tempo:
Vasto sumidouro
Os mortos alhures
Pedra sob a carne –
A dor e a vertigem.

Antonio Laranjeira