domingo, dezembro 30, 2007

Fotográfico

Pássaro sobre o parapeito.
Quando certo de sua captura
O passado impõe-se: espesso.

Antonio Laranjeira

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Poema de amor n.10

Olhos assépticos
Silêncio e lágrima:
Dentro da gota
O infinito palpita
E se dispersa –
Dois corpos
Um só.

Antonio Laranjeira

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Ausência

Sala, móveis,
pratos vazios.
Ruídos mudos:
A dor só do corpo
Preenche o ar
Espesso...
Antonio Laranjeira

sábado, outubro 27, 2007

Permanência

o corpo são paredes
lavadas em sangue
limite tênue para a vida que explode
em átomos, moléculas
suor, urina e esperma
tudo é tremor: a peste, o Risco.
o tempo pesa sobre a pele e oprime
o corpo que cresce com as perdas
nasce e morre com os dias
vira muitos com a memória
e resiste baqueado:
em nacos de carne suturados a esmo.

Antonio Laranjeira

quinta-feira, agosto 16, 2007

DÉJÀ VU

O meio-dia pesa em minha cabeça
Vertigem e náusea

O passado é um estilhaço cravado na carne
Arestas irreparáveis

Vozes em meu ouvido esquizofrênico
Pulsando no ritmo dos passos
Salgam nas gotas de suor
da pele espessa
Secam nas ruas-labirintos ermos
Casas, praças, igrejas
No meio do redemunho

Tudo sempre em seu lugar
Menos o meu corpo
que permanece móvel
Sem nunca ter saído de lá.


Antonio Laranjeira

terça-feira, junho 19, 2007

Haikai fúnebre

Luz branca, olhos assépticos
Pernas, braços, corpos aflitos
– Mais um não quer respirar!

Antonio Laranjeira

quinta-feira, maio 17, 2007

Corredor

De bocas assépticas
Gritos escorrem.
Banham com sangue
O ermo intemporal
De estrelas solitárias
No breu da madrugada.

Antonio Laranjeira

sábado, abril 07, 2007

Memórias #2

Nos cantos da casa
Meus mortos respiram:
O quarto
[turvo]
o pátio...

O corte preciso
A lâmina branca
O vidro em cacos
A pedra e as arestas –
A fenda no tempo.

Nos cantos do corpo
Meus mortos respiram:
A pele
[lúcida]
o sangue...

A fenda no tempo:
Vasto sumidouro
Os mortos alhures
Pedra sob a carne –
A dor e a vertigem.

Antonio Laranjeira

sexta-feira, março 02, 2007

Nostalgia

Brame em mim
O anúncio das seis horas:
A vida se perde alhures.

Antonio Laranjeira

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Consumição

Acerto os ponteiros
Com os sinos da matriz
BADALAM
BADALAM
BADALAM
O Risco:
Mais do meu corpo
Para o vasto sumidouro.

Antonio Laranjeira