sexta-feira, dezembro 29, 2006


Passeio diurno

Todos os meus mortos nas ruas
No busto da praça
Na igreja matriz
No rio aterrado
A lâmina da Lucidez
Faz uma fenda:
Os pedaços nunca serão suturados.

Antonio Laranjeira

5 comentários:

Flávia Aninger disse...

Eduardo,
Estou impressionada com seus poemas.
Cortam como facas.
feliz 2007
abração
Flávia
sua colega de martírios acadêmicos

Janaína Calaça disse...

Menino, nossos mortos estão nos objetos encontrados nos buracos negros da casa, nos papéis amarelados e riscados por uma tinta absurdamente azul, que sempre saltam e nos assaltam com tantas lembranças.
Nossos mortos estão todos espalhados e fragmentados por aí.

Beijos

Jana

Priscila Fernandes disse...

Baudelaire passou por aqui! Isso me inspira...

orlando freire junior disse...

Eduardo, o poema perturba (que é o que tem que ser), assim como a lucidez.
Ainda bem que a poesia é possível.

alexandre disse...

faz uma fenda:"
-só nos restam ossos.

||assovios pela rua.

rs.