sábado, setembro 23, 2006


Isto não é um carnaval

Visto uma fantasia
Duas ou três máscaras
[pesar feiúra e dor]
E não é carnaval
[não pulo não rio nem gozo]
Ânsia de partir
Me fragmento em tantos
Me recomponho em tantos outros
Rasgo a carne morta e entrego aos cães
Sinto os dentes esticando
[ainda eu]
Partes
gotas de sangue
esvoaçando
Visto uma fantasia
Duas ou três máscaras
Mas não é carnaval...

Antonio Laranjeira

4 comentários:

Ari disse...

Doeu, viu?Vou ser solidário e tirar pelo menos mais uma de minhas máscaras!

Janaína Calaça disse...

Não é carnaval, mas ao mesmo tempo é. Não são máscaras, mas ao mesmo tempo é. A linguagem é quem faz ser. A linguagem é aquilo que compõe o mundo antes mesmo de usarmos este olhos-limite para encará-lo. Então... É carnaval, são máscaras, é sangue e são pedaços. E sou mulher, homem, puta, menina, pudica, pernas abertas. E somos muitos, Du. Muitos.

Beijos

Jana

Priscila Fernandes disse...

No mínimo Baudelaireano, eu diria. Quando recebi o aviso passei aqui e li rapidamente. Hoje voltei e ao reler pensei: será que meu "disfarce" veio desse carnaval?

elen disse...

absurdamente extraordinário... apenas uma palavra é capaz de resumir e descrever ... perfeição. parabéns. elen laueffer