sábado, agosto 05, 2006

Praça da Saudade

No lodaçal do tempo
[pontada no meio da espinha]
O meu passo, lento
Recortes num painel:
Tesoura, cola, papel...

Sentado na praça da Saudade
As boas-novas no jornal
O presente corre nos trilhos
nos eixos da velha estação
Vagões de trem-fantasma
Desencontrando
Descarrilando
Desembarcando
Na velha estação...


Histórias. Coisas como restos
Um pedaço de pano
Um coração de madeira
Um porta-retratos
No meio da praça: um coreto
Com o sol de novembro
E uma bandinha dissoluta:
Vento morno ao pé do ouvido
Soprando sons pra um expatriado.

Antonio Laranjeira

4 comentários:

Priscila Fernandes disse...

Praça! Sempre uma saudade sem nome.

Lima Trindade disse...

Baby, baby, baby... Gostei. Sério, gostei. Todavia, me surpreendi. O poema é leve, exprime domínio formal, mas, para mim, faltou um punch, isto é, o hoje, ou, ainda, um outro tipo de melancolia, uma outra reflexão do passado.. Talvez seja exigir demais, exigir o fora do poema, mas, baby, é que achei tão positivo o teu uso da forma, o encaixe perfeito de todos os versos...

leilalopes disse...

O tempo e seu ar de velha estação, saudade e tantas vezes um lodaçal. Meus passos são deveras lentos. Bj

leilalopes disse...

O tempo e seu ar de velha estação, saudade e tantas vezes um lodaçal. Meus passos são deveras lentos. Bj