segunda-feira, agosto 28, 2006

Assalto

Luz branca
Agulha fina que queima
Fura os olhos: enxergo.

Os corpos são mais pedra;
Mais faca afiada.
O sujo do chão é mais sangue.

Lucidez:
O ar de chumbo que me cobre
É vida.

Antonio Laranjeira

domingo, agosto 27, 2006

Haikai urbano

Mau-presságio:
O caminhão do lixo atrasou
Meia hora.

Antonio Laranjeira

sábado, agosto 05, 2006

Praça da Saudade

No lodaçal do tempo
[pontada no meio da espinha]
O meu passo, lento
Recortes num painel:
Tesoura, cola, papel...

Sentado na praça da Saudade
As boas-novas no jornal
O presente corre nos trilhos
nos eixos da velha estação
Vagões de trem-fantasma
Desencontrando
Descarrilando
Desembarcando
Na velha estação...


Histórias. Coisas como restos
Um pedaço de pano
Um coração de madeira
Um porta-retratos
No meio da praça: um coreto
Com o sol de novembro
E uma bandinha dissoluta:
Vento morno ao pé do ouvido
Soprando sons pra um expatriado.

Antonio Laranjeira