sábado, julho 29, 2006

Náusea

Amanhã:
Tempo de lucidez.
Quarto de hospital
Branco
Lençóis brancos.

Do centro da espinha,
Vidro fosco, subcutâneo.

E fere, e sangra.

A mancha adensa
Olho arregalado
Boca engolindo tudo:
O Risco.

Amanhã:
A náusea,
o engasgo e
o silêncio.

Antonio Laranjeira

segunda-feira, julho 24, 2006

Haikais pós-modernos III

[Sábado à noite]

Bares lotados, faróis acesos
O carro corre noite adentro
O desespero queima em lâmpadas de sódio.

Antonio Laranjeira

terça-feira, julho 18, 2006

Autobiografia n.7

Abre o sino da matriz
Dois olhos negros de lucidez:
A noite engole migalhas –
[móveis velhos,
punhado de terra,
sol de Novembro]

Pedra e vidro fosco
Perfuram a pele:
Sangue e suor.

Me reconheço esquartejado
E as partes não combinam.

Antonio Laranjeira

quinta-feira, julho 13, 2006

Praça
A uma cidade qualquer de beira de estrada

Jardins líquidos
Bancos sozinhos
(Eta vida besta!)
Sem mulheres
sem laranjeiras
Sem amor.

Só um canto de maus presságios
No redemunho do tempo.

No meio da praça
Minha terra é alhures.

Antonio Laranjeira