sábado, maio 20, 2006

REF.#022006

De que me serve a garganta
Se os gases das bombas
Queimam, sufocam e calam?
De que me servem as entranhas
A minha boca e o meu sexo
Se o meu prazer sabe a morfina?
Só me restam os olhos
Debaixo de uma cortina de luz.
Do alto da ponte sobre o Risco
Vislumbres da terra inexistente.
Oh deuses mortos! Caminhando
No asfalto lavado com sangue
Os órfãos olham os despojos
Totens de ouro na superfície
das valas enlameadas.
Longa passagem estreita:
Vigiada por lâmpadas de sódio
Cortejo de sonâmbulos.
No vão escuro das janelas
Se debruçam – reflexos da rua
De que me serve esse peito
[hipertrofiado]
Se dele o que sai é só um grito
abortado?

Antonio Laranjeira

sábado, maio 06, 2006

Risco #2

Abro a janela e fico cego:
O mundo é um buraco-negro
A vida [por um fio]
água pelo ralo.

O corpo opresso
[lampejo de lucidez]
Pressente o Risco:
Céu em chamas
Madrugada adentro.

Antonio Laranjeira