quinta-feira, abril 13, 2006


Poema de amor em 3 atos
Ato I

Sirenes, buzinas, pregões –
Uma voz estridente:
O corpo
[entre a turba]
é alhures.
Me exilo incomunicável.

Ato II

A dor do canto de cigarra
Lamento surdo do mendigo
– Basta.
Minha epiderme guarda a desmedida
Gozo inquebrantável do tempo.
No breu dos olhos, luz ambígua
Chama: noite queimando dia adentro

Ato III

Domingo cinco e meia da tarde
Pássaros brancos se afogam num céu de sangue.
Um assombro [o tempo]:
Lençóis, mesa e a cadeira vazia.

Antonio Laranjeira

Um comentário:

Priscila Fernandes disse...

Fino, aguçado. Algo me fez lembrar Cruz e Souza.