sábado, abril 22, 2006

Poema de amor #5

O amor se estrepou
Não pagou as contas
Água luz e telefone
Morto asfixiado
(Gás de cozinha)
Virou notícia de jornal
Virou espetáculo de fim de tarde
No meio da rua
Corpo estrebuchando
Atropelado pelo caminhão do lixo
O amor se estrepou
Dobrou a esquina
Deu de cara com a polícia
Fez um gesto obsceno
E foi pra cadeia
Cheio de hematomas
Todo esmolambado pede esmolas
Frutas da feirinha
Lambidas de vira-latas
Moedas atiradas
O amor se estrepou
Quase surdo-mudo
Não comunica
Entra em cena como mímico
Finge tão completamente
Chega a fingir que é amor
E é fantasia de carnaval
Dança bebe e fode
Goza ri e pena
Quarta-feira vira cinzas

Antonio Laranjeira

3 comentários:

Priscila Fernandes disse...

Vejo um investimento contínuo de intertextualidades nos seus poemas. Este ultimo transborda de imagens duras e irreverência. O amor do século deve ser mesmo este marginal.

Priscila Fernandes disse...

Vejo um investimento contínuo de intertextualidades nos seus poemas. Este ultimo transborda de imagens duras e irreverência. O amor do século deve ser mesmo este marginal.

Fulana Miranda disse...

Essa sua temática constante, esse seu olhar sobre ou, de repente, sob o corpo amoroso de agora... Bem, seja como for, esse seu olhar de um Sade claustrofóbico ainda lhe renderá algumas boas firulas e conquistas, meu amigo. Gostei muito.