sábado, fevereiro 25, 2006


Carnaval

Começo meu carnaval subjetivo
Sem pierrôs ou colombinas
Sem um bêbado nas esquinas
Só as placas carros e a gorda faminta
A mulher muito gorda largada na calçada
Cantando um sucesso de verão
Os ferros retorcidos da arena
Luzes cores toda a cena
A mulher gorda, meu Rei Momo
Estropiado, mais que desgraçado
Espera...

(escuto uma marchinha
devagar, bem baixinha
vem de um canto do passado
trazendo um bloco
choro de velhas fantasias
lágrima estática
saudades que não são minhas)

Não pulo não danço nem tomo alegria
Perambulo pela cidade
Sonhando toda ela vazia
Corpos e escombros turvam o caminho
A mulher gorda o sucesso de verão
Os ferros retorcidos placas pelo chão
Cinzas: o gozo do fogo morto
Latas amassadas ruas e desvios
Quarta-feira apagada
Nos postes da avenida

Antonio Laranjeira

7 comentários:

L. F. Calaça disse...

Carnaval... o ciclico tormento de todos os anos, hahahahahahaha. ou não. há quem goste, hámquem não fique em casa morrendo de tédio. Gostei das imagens. O carnaval cond=segue ser excesso até para você, neste poema de imagens sobrepostas e ferros retorcidos. Um grande abraço.

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Oi!
É minha primeira vez aqui.
Gostei do poema.

*CC*

Priscila Fernandes disse...

Juro que estava esperando ler este Carnaval. Gosto muito, você mudou algo nele?

Perdigotos disse...

não modifiquei nada, apenas republiquei, porque estava no antigo blog. o primeiro carnaval que nao escrevo um poema sobre o carnaval foi esse que passou.

l. rafael nolli disse...

Saudações, camarada! Muito bom o poema sobre o carnaval. Me remeteu a Manoel Bandeira de um modo agradável. Abraços.

Jana disse...

Du, acompanho seu blog no silêncio, porque muitas vezes suas linhas acabam me calando... São linhas que mexem em feridas, que minam os olhos... E todas essas coisas inexplicáveis que acontecem, quando algo sorrateiramente nos atinge. Estava lendo este poema e não consegui ficar calada desta vez. Na verdade, não foi nem uma questão de conseguir o silêncio, já que das outras vezes ele me era imposto.
O Carnaval para mim sempre foi um misto de cor e ruína, de luz e mortalhas... Vejo as pessoas caminharem lentas ao longo do ano, vivendo uma pseudo-existência e acreditando que viverão realmente nesses dias de Baco... Mas no fim, a ruína sempre impera grandiosa e majestosa e os corações acabam esvaziados. Todos os anos, me sinto esvaziada, mesmo não fazendo parte do movimento daquela massa... Que caminha de um lado a outro, procurando bocas e corpos e esquecendo do gosto de cada um, após o primeiro gole de cerveja.
Ando melancólica e o Carnaval nunca foi sinônimo de alegria... Como tudo nele... É máscara, é brilho falso e é escape. A vida retorna na quarta-feira de cinzas e eu contemplo novamente as ruínas, as mesmas cinzas e o pó.

Lindo poema...

Nada mais a dizer...

Beijooooooos

Jana

Jana disse...

Du, acompanho seu blog no silêncio, porque muitas vezes suas linhas acabam me calando... São linhas que mexem em feridas, que minam os olhos... E todas essas coisas inexplicáveis que acontecem, quando algo sorrateiramente nos atinge. Estava lendo este poema e não consegui ficar calada desta vez. Na verdade, não foi nem uma questão de conseguir o silêncio, já que das outras vezes ele me era imposto.
O Carnaval para mim sempre foi um misto de cor e ruína, de luz e mortalhas... Vejo as pessoas caminharem lentas ao longo do ano, vivendo uma pseudo-existência e acreditando que viverão realmente nesses dias de Baco... Mas no fim, a ruína sempre impera grandiosa e majestosa e os corações acabam esvaziados. Todos os anos, me sinto esvaziada, mesmo não fazendo parte do movimento daquela massa... Que caminha de um lado a outro, procurando bocas e corpos e esquecendo do gosto de cada um, após o primeiro gole de cerveja.
Ando melancólica e o Carnaval nunca foi sinônimo de alegria... Como tudo nele... É máscara, é brilho falso e é escape. A vida retorna na quarta-feira de cinzas e eu contemplo novamente as ruínas, as mesmas cinzas e o pó.

Lindo poema...

Nada mais a dizer...

Beijooooooos

Jana