terça-feira, janeiro 31, 2006

Insônia

Ponteiros cravados na carne
O matiz da madrugada: uma bofetada
O silêncio é uma boca aberta
num pesadelo sem fim [nem começo]
Fechado o peito é uma cela
cheia de agonias renitentes
Condenados à morte amordaçados
assistem a uma procissão infernal
Um manto de chumbo
pesadas sombras ermo profundo...
Sem fim ou começo
Gotas despedaçando o ar escuro
Intermitências de infinitudes aparentes
O espelho derrete o rosto
a cada passo no apartamento
Minuto a minuto
Lâmpadas de sódio em coro
mariposas em volta: ciranda muda
O corpo pálido queima
Duas três dez vezes ou mais
[ponto de brasa no breu]
Estica e comprime os músculos
[o corpo]
Sem fôlego apaga:
cinzeiro... copo quase vazio...
Um canto de galo lamenta o novo dia

Antonio Laranjeira