terça-feira, janeiro 31, 2006

Insônia

Ponteiros cravados na carne
O matiz da madrugada: uma bofetada
O silêncio é uma boca aberta
num pesadelo sem fim [nem começo]
Fechado o peito é uma cela
cheia de agonias renitentes
Condenados à morte amordaçados
assistem a uma procissão infernal
Um manto de chumbo
pesadas sombras ermo profundo...
Sem fim ou começo
Gotas despedaçando o ar escuro
Intermitências de infinitudes aparentes
O espelho derrete o rosto
a cada passo no apartamento
Minuto a minuto
Lâmpadas de sódio em coro
mariposas em volta: ciranda muda
O corpo pálido queima
Duas três dez vezes ou mais
[ponto de brasa no breu]
Estica e comprime os músculos
[o corpo]
Sem fôlego apaga:
cinzeiro... copo quase vazio...
Um canto de galo lamenta o novo dia

Antonio Laranjeira

segunda-feira, janeiro 09, 2006

REF. #09012006

Não quero viver
Encoberto por metáforas
Escavo com as unhas
A lama que escorre

Mostro o rosto em carne viva
os músculos contraídos...
Cada sulco esculpido
É meu corpo trôpego

Não quero viver
Fingindo essa poesia
Entre cacos de palavras
Que não passam de agonia

Antonio Laranjeira

sábado, janeiro 07, 2006


Lucidez

A lucidez é um carro
desgovernado:
Estilhaços na madrugada.

Assombro:
Dor sem palavras.

Correndo em contra-mão
– Verso [e reverso] –
Entornam bile, sangue
e esperma.

Antonio Laranjeira