domingo, dezembro 11, 2005


A um desconhecido

Em desespero corre
[som de sirene]
Curvas, sulcos, hastes
Encontra e se biparte
Lâmina afiada, o pêlo
É a lágrima que se esgota
Água e sal: pequeno mar
De afogadas mágoas
[ciúmes, rancores, não-ditos]
— o corpo inerte —
Talvez morte cerebral
Ou só falta de oxigenação
[seqüelas]
Sondas, fios, agulhas
A carne – esgarçada
Nos humores, purgação
Dissabores remoídos
Migalhas...resíduos...
Em desespero corre
A lágrima
[som de sirene]
Ferindo a noite
De uma avenida sem fim

Antonio Laranjeira
Novembro de 2005

2 comentários:

Priscila Fernandes disse...

Às vezes é difícil ler os seus poemas. Muito fortes, muito urbanos, e secos de mais, muitas vezes.
A rigidez do asfalto nas palavras!

Rosane disse...

Justamente pelo que foi descrito no comentário anterior, gostei muito dos poemas!!! Pela dureza e pela secura existentes neles!!!
Muito bons!!!!!!!!!