quarta-feira, dezembro 14, 2005

Náusea

Quero pôr pra fora
Um troço qualquer
No meu peito o aperto
Na garganta o engasgo
No cérebro a angústia
Que lateja e que arde
O vai e vem do tempo
Meu corpo em frangalhos
Quero pôr pra fora
Um troço qualquer
O vento quente sujo
Baforada de horrores
Sol ponta de cigarro
Tecido em chamas
Meus olhos lanhados
Agudez de sentidos
Quero pôr pra fora
Um troço qualquer

Antonio Laranjeira

3 comentários:

Andréa disse...

Passei por aqui e constatei que um amigo que há muito eu não leio, continua escrevendo muito bem... beijo, Du!

Priscila Fernandes disse...

Acabou pondo para fora mesmo!

L. F. Calaça disse...

Depois de um tempo nos acostumamos com a nausea e achamos que é um barato, uma viagem muito doida pelo mundo invisível das palavras, onde litros de sangue e lágrimas são arremeçados no escuro de um buraco de fechadora empoeirado.