quarta-feira, dezembro 28, 2005

Autobiografia n.5

Quero me afogar no mar
Deixar atrás a cidade
Quentura de águas noturnas
Beber...
respirar meu alimento
Quero me afogar no mar
Sentir o gosto salgado
[língua no mamilo]
No fundo águas passadas
Me perder no redemunho
Quero me afogar no mar
Na eternidade dos dias
A areia vira madrepérola
[um pedaço de madeira
um vulto
um cheiro indistinto]
Quero me afogar no mar
Deixar atrás a cidade
Me recompor nos vestígios
Restos de um naufrágio
Guardados numa gaveta

Antonio Laranjeira

4 comentários:

L. F. Calaça disse...

Antônio. Cada vez sinto seus poemas mais líricos. ISSO É BOM!!!!!!!!!!!!!!!!! Pois mostra que está se deixando entregar mais pelas palavras, que apesar de etéreis, ao menos para mim, é uma das poucas formas possíveis de entrar em contato mais intimo consigo mesmo.

Aproveite e mergulhe mesmo, até ficar sufocado e emergir, sempre numa ansia de mais um mergulho, mais um poema, para aqueles poucos escolhidos para transformar a matéria humana em arte e vida.

(Êta que tô enrolando um bocado!)

Priscila Fernandes disse...

Não sei se confere, mas estou vendo influencias da poesia de Zeca Baleiro aí (na parte do mamílo).
Não deixe de atualizar!
Um abraço

Perdigotos disse...

exatamente isso.

Djalma Calmon disse...

Cada vez que leio este poema tenho
diversas percepções,as vezes tento
"mergulhar" nas profundezas da minha alma, e deixar tudo para trás
mas antes de encontrar as respostas,surge o medo de se "afogar",então inevitavelmente
volto até a superfície e as minhas respostas continuam lá no fundo.
(acho que dei mil voltas e não sai do lugar!!!)parabéns pela poesia