sexta-feira, dezembro 16, 2005

Autobiografia n.3

Grito de pesadelo
Menino preso no tempo
Suores
sobressaltos...
A meia-luz:
Um porta-retratos
Fere a madrugada

Antonio Laranjeira
Dezembro de 2005

3 comentários:

maricelma silva disse...

Nada poderia descrever melhor um lampejo de lucidez no meio de um sono conturbado do que vê um facho de luz sobre o porta retratos na mesinha de cabeceira. O topor do sonho, a resistência em ficar indiferente ao mundo dos vivos permanece mas se estar acordado e a luz lhe mostra o contrario da noite, ferindo agressivamente o tempo oniríco. Eu adoro esse seu poema, por diferentes motivos, pelo que já disse, pela velocidade de um flash, pelas imagens...eu o acho primoroso. Como tudo o que vc cria! Um abraço

Priscila Fernandes disse...

Existem as autobiografias n.1 e 2? Gostaria muito de ver. Nessa terceira reconheci a palavra ou signo "madrugada", que parece te acompanhar.

Um abraço

Djalma Calmon disse...

acredito que não é preciso estar sonhando para viver nossos pesadelos,seu poema retrata isso muito bem,sempre cheios de signos,
a qualquer hora,em qualquer lugar eles estão por aí nos atormentando,intensificando nossos temores,mostrando que somos humanos
e vulneráveis aos mesmos sentimentos.Realmente muito original e reflexivo.