sexta-feira, novembro 29, 2013

POÉTICA

Olhos arregalados do mundo
Estranham minha pele

A Lucidez – carro desgovernado –
Corta, estripa
e vira
[a pele ao avesso]:

Lavo com sangue
A pequeneza dos dias

Antonio Laranjeira


terça-feira, novembro 05, 2013

PRIVAÇÃO

Resguardo prazer e dor Faço um inventário de culpas [para a minha assepsia] Dispo-me da menor impureza Até não me sentir matéria

Antonio Laranjeira

quarta-feira, março 14, 2012

Fotografia


no brilho opaco de olhos negros

não há respostas.

riso estático e gesto ensaiado

não contam segredos.

todos ao redor: vivos e mortos

e nenhum alarde.

todos cúmplices do crime perfeito.

o olhar

corte preciso e lento...

o entalhe da cicatriz

é lucidez que extasia:

enquanto desejo permanência

o corpo pede

que me desconheça em tempo

e espaço.



domingo, setembro 05, 2010

Amor


Seu olhar-espelho-meu:

O infinito.

Até a próxima balada.


Antonio Laranjeira

segunda-feira, agosto 23, 2010

Haikai de amor perdido


Mesa posta para o jantar:

Duas cadeiras,

Um prato só.


Antonio Laranjeira

sexta-feira, agosto 13, 2010

Infância


Mata fechada e feras

A tarde, um safári:

Ah, o quintal de casa!


Antonio Laranjeira

sexta-feira, julho 30, 2010

Saudade


Aquele biscoito

Que eu comia quando pequeno

Não existe mais.


Antonio Laranjeira